Eu costumava andar observando os pássaros voadores voando no vento azul do céu. Eu olhava o sol e me admirava. Às vezes ele me cegava e eu via uma mancha preta nas coisas. A mancha era bonita e brilhava com o piscar dos meus olhos. Eu olhava e tropeçava. Às vezes caía. Eu costumava assobiar para fazer o ar dançar no meu ouvido e andar até ficar perdido e ficar dolorido o meu pé. Um dia me alertaram sobre a cor do meu sapato e num outro sobre sua condição. E a cada dia me alertaram sobre um aspecto diferente: cadarço, costura, sola, sujeira, e assim ia indo. Foi na vez que eu encostei o queixo no peito que eu vi meu sapato, daí passei três dias e três noites observando. Quando terminei de observar, cocei minha orelha e comprei um sapato novo. Hoje eu tenho um sapato bonito e sou feliz. Meu queixo anda perto do meu peito. Minha orelha não coça mais e eu vejo o sol brilhando no meu sapato lustrado.
19/03/2008
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