O que eu acho agora
me pergunte de novo se eu acho amanhã
porque eu não sei
pelo que vou me aficcionar
qual filosofia vou trazer no bolso
qual corrente doutrinária vou apertar ao peito
depois que eu me der conta pela manhã
que rolaram para longe
as azeitonas do pote
que costumava carregar
As filhotas de capivara
me ignoram mais do que de costume
as goiabas maduras perscrutam
os segredos adormecidos nos cantos da mata
ando sem pisar nas folhas
pulo sem quebrar os galhos
para não acordar os deuses do pensamento
e o bode Adamastor
que come tudo que lhe aparece na frente
comeu também minhas utopias
depois que as joguei no barro da clareira
agora eu to meio pelado da alma
colhendo ervas mágicas
e utopias maduras
pra tentar curar
a sarna que me coça no lombo
07/03/2008
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