13/03/2009

Os olhos de quem lê

Quando escrevo, me pego nos olhos de quem lê, que, sendo os meus próprios, fazem vir logo a reprovação, o desejo de superar aquilo que acabei de escrever. Minhas palavras já estão velhas desde a concepção, são carcomidas de nascença, se oxidam no mesmo instante em que caem no papel, são fósseis precoces. Ao saírem de mim as palavras, já não me pertencem... nunca chegaram a pertencer!

2 comentários:

Anônimo disse...

e é,

"a escritura é a destruição de toda voz, de toda origem. A escritura é esse neutro, esse composto, esse oblíquo aonde foge o nosso sujeito, o branco-e-preto aonde vem se perder toda identidade, a começar pela do corpo que escreve" Barthes

e eu...os meus escritos são curtos.
São bem curtos os meus escritos.
Mas como um suspiro nos dias agitados,
num único ímpeto de folêgo,
acomoda-se minha alma
nesta vestimenta apertada.

Anônimo disse...

Abra as cortinas!




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