27/04/2009

Seringueira-falsa

Podem dizer o que quiserem da seringueira-falsa, eu gosto dela de qualquer jeito. Podem dizer que ela é uma árvore que não pertence a este lugar, que é uma coisa exótica, não natural daqui, mas gosto dela mesmo assim. Podem dizer que ela rompe, com suas raízes sedentas, os asfaltos, calçadas, tubulações de água e esgoto das cidades, mas gosto dela mesmo assim. Ela pouco se importa de ser acusada de falsa, no nome que escolheram para ela, porque ela está preocupada com outras coisas além dos jogos de verdade dos homens. Das mulheres do reino vegetal, ela é minha mãe, porque me dá abrigo no conforto de seus inúmeros galhos emaranhados, formas perfeitas que convidam a subir, deitar e descansar, sob a chuva ou sob o sol, e ela não pede nada em troca. “Te dou porque te dou!” – é o que ela me diz. A falsa-seringueira me dá alegria e poesia, é mesmo uma mãe, até leite ela tem. Ela me ensina a andar, não pra frente, como minha mãe de carne, mas para cima, para onde apontam as estrelas, aonde ainda me falta ir. Se ela não me dá o alimento, porque não tem frutos comestíveis ou leite que eu possa beber, que importa? Eu não tomaria leite da minha mãe de carne se ela agora o pudesse me dar, e ter leite não faz dela minha mãe; o que faz dela minha mãe é me dar o que preciso, e é isso que a seringueira-falsa me dá: o que preciso dela.

Nenhum comentário: