É bom ser cão para não ter que ouvir conselhos dos homens. É certo que levo um monte de chutes por aí, mas às vezes deve ser melhor receber um chute do que um conselho. Não porque os conselhos sejam ruins por si próprios, mas é que aqui na cidade o tema deles parece não mudar, parece o mesmo lenga-lenga de sempre, a mesma piririmprolopopéia-discafatice enfadonha. Deus me guarde dos conselhos! Deus me guarde das conversas pra boi enriquecer! Falo isso porque outro dia encontrei um jovem que tem sido confundido com uma lata de despejar verbos no imperativo e no futuro do pretérito. O pobre coitado tem sido alvejado por conselhos, melhor seria dizer pelo mesmo conselho repetidamente. Ontem , quando ele se sentou ao meu lado, um pouco abatido de tanta paulada palavreada, veio uma canção do dia e me sussurrou assim:
Os sonhos que costumava ter antes
Hoje eu já não os alimento mais
Em troca de agarrar os instantes
Que se vão como os barcos vão do cais
Se a grandeza é o tema inaugural
Dum sonho emancipado da madrugada
Então para ele deve haver um canal
Em cuja foz há uma vida frustrada
Realizar um sonho de ser e ter
É o que deveria buscar na minha idade
Com todas as forças de que disponho
Mas um algo insiste em me dizer:
O sonho não se torna realidade
Numa realidade feita de sonho
2 comentários:
- Já passou a dor? Conseguiu criar nova palheta de tintas para colorir o desgastado da vida?
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- Desistiu? Ah, sim, é o desgosto.
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- Eu? Eu ainda me apeteço diante dela. É, vou ensaiando passos que compõem minha breve performance.
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- Não, não é teatro.
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- Isso faço sempre, da última vez usei temperos - você sabe, o coentro é fundamental -, mas já rolaram outras tentativas. Daí meu interesse, queria saber se as tintas podem funcionar.
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- é, raspar o excesso também é importante; qual será a tonalidade que tem por detrás?
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- é mesmo? água, água é bom, faz bem ( mas água de bebe, né camará?)
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- hummmm...é um equílbiro delicado
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- hahahahahaha e "filho de coruja não tem pai"...hahahaha
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- sim, assim, sigo eu e a outra metade do infinito.
E eu,em minhas andanças virtuais, vim te visitá. E me deparo que esse post: "Soneto para os conselheiros". Sabe que me senti inserida na catigoria?! Pois é, e se não mais verbalizo os benditos conselhos, ainda, em meus momentos de preocupação e cuidado (será o tal do espírito materno,ai,ai,ai) os formalizo - ou transformo em alguma coisa....como vc pode ver abaixo!
Sim, sim, já sei que como todo cão que se preze vc não quer ser convencido de nada. E vai dizer que a preocupação é só mais um modo de eu desviar a atenção de mim mesma e outras caninices sagazes. Respeito, e espero, sinceramente, que você encontre a liberdade e a paz.
Ops! e êita! A flor aqui já tá disparando a falar...e pensar e blá,blá, blá.
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